terça-feira, 17 de março de 2009

não há aqui agora um poeta triste
mal há aqui alguém assim
não há aqui relatos tristes e/ou infelizes
há apenas relatos de alguém que se mais feliz fosse
mais feliz estaria
não há aqui um poeta que queira ser vítima
mal há aqui alguém assim
há apenas alguém que não acredita no amanhã e
por isso vive o hoje
agora não há aqui um poeta sem amor
mal há aqui alguém assim
há apenas alguém que amou, que sonhou
e viu que o amor não é nada mais
além de algo sem explicação, sem sentido,
sem razão, sem um porquê, tão fácil de surgir
quanto de sumir, tão fácil quanto trocar
algo sem interesse por algo interessante
as feridas ficam, mas não em quem não amou, ou
amou à todos igualmente
não há aqui um poeta demagogo
mal há aqui alguém assim
mas a morte chegará a todos
e a grande pergunta é: do que lembrar? Do que viveu? ou do que sonhou viver?
há muito o quê fazer, o tempo vem contra, não para, e nem volta,
e não haverá espaço para quem cantar a tristeza, a infelicidade, ou a falta de amor
apenas se conformar, ou discordar até a morte e lutar contra tudo e todos
mas nunca fazer da maré o leme
há sempre no que acreditar
não há aqui um poeta capaz de dar conselhos
mal há aqui alguém assim
mas se pudesse um dia fazer da vida
palavras, sonhos e todos os desejos se transformarem
em lembranças concretas, alegrias, despedidas e choros
eu faria
mas talvez
mal há aqui alguém assim...

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